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Por que hoje em dia os iogues ainda parecem se preocupar tanto com o alinhamento da coluna em trikonasana, quantidade de oxigênio absorvido pelos alvéolos durante o bhastrika, quais os músculos envolvidos na execução do surya namaskar "A" e/ou qual a área cerebral é "ativada" em meditação? Estamos (nós professores de ioga) querendo ser "aprovados" pela ciência por acaso? Até quando o ioga moderno ficará girando em círculos na busca de medicalizar-se? "Qual o melhor ásana para insônia, dor de cabeça ou ansiedade?", ainda não nos cansamos disso? O ioga possui um pensamento mágico, místico e religioso do mundo, e daí? O ioga não tem nada de científico; muito mais de filosofia... e nem poderia, a Ciência surge séculos depois. Beleza, foi bom o ioga flertar com a ciência empirista dos ingleses que os colonizavam no início do século XX para elevar a "moral" indiana, mas já está bom, né? Já se passaram 100 anos e pagamos o preço de quase sermos regulamentados pelo Conselho Federal de Ed.Fisic...

1. Kaivalya: busca por libertação ou desejo por mais solitude

           

A primeira pergunta que talvez paire em sua mente pode ser: não é uma redundância propor a um yogi ser um livre-pensador? Sim, a proposta do Yoga é ser livre, atingir kaivalya, como já foi muito bem exposto na sistematização de um sacerdote hindu ainda no século II a.C. sob o domínio da sociedade indiana pelo Império Védico! Mas como a própria palavra anteriore em itálico deixam subentender (domínio), será que o sacerdote Patanjali, que vivia no lugar de mais alta casta social indiana da época, não capturou um Yoga e imprimiu a sua (única) forma de pensar e viver? Em outras palavras, a sua (a você mesmo que me refiro agora) escola, tradição, método ou linhagem yoguica (ou qualquer outra denominação que você deseje/confie/bote-fé) pode estar doutrinando a sua realidade e não o liberando ("kaivalyando") a novas formas de amar, de existir, se vesti...

Algumas Respostas

           

O yoga como um novo fenômeno religioso está em expansão. Desde o meu mestrado venho acompanhando tanto os seus desenvolvimentos e estratégias proselitistas, como da sua aproximação com a ciência biomédica para se legitimar e ser aceito nas sociedades latino-americanas. Enquanto entre os anos de 2011-2015 (período do mestrado e doutorado) percebia três mecanismos-estruturais-estruturantes dos quais as instituições yoguicas brasileiras se utilizavam para divulgar e se manter financeiramente: 1) cursos de formação e workshops de professores de yoga/meditação, 2) Viagens/peregrinações a locais de culto/sagrados, e 3) Comercialização de produtos (como cd’s, dvd’s, livros e etc). Hoje (2019), observo o surgimento de um quarto mecanismo-estrutura-estruturante: a 4) Organização/Produção de eventos. Em outras palavras, esse novo mecanismo conjuga dois anteriores, mas se configura diferentemente: 1) pode acontecer num...

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Roberto Simões

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