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yoga contempor​âneo

Perguntas da Pesquisa

Ainda na banca de defesa do meu doutoramento algumas perguntas surgiram, como por exemplo, como se deu a transplantação do yoga indiano a outras sociedades não-hinduístas. Trabalhos já haviam sendo realizados e artigos muito interessantes sendo apresentados em congressos pelo mundo. Entrementes, o caso dos países latino-americanos continuavam envolto em mitos pelos yogues formadores de opinião em blogues pela internet e livros autobiográficos muitas vezes, não respeitados por agentes religiosos do yoga opositores destes. A primeira grande questão que motivou esse trabalho de pós-doutoramento estava, primeiro, em identificar os reais atores sociais do yoga latino-americano e, em seguida, descrever a vida e obra destes. Entretanto, era preciso um marco teórico que nos auxiliasse na estruturação das fases dessa transplantação religiosa. Era de extrema importância respondermos quais as influências e sincretismos que o yoga precisou sofrer para que o possibilitasse torn...

Discussão

Resultados da Pesquisa

Meus primeiros passos na Ciência da Religião sempre foram um tanto quanto incertos, cautelosos, trôpegos até em muitos momentos. Sem saber muito bem por onde seguir, como não poderia ser diferente, fui tateando áreas afins ao meu conhecimento, como a fisiologia, o yoga, a sociedade brasileira e a filosofia do corpo. Deste modo, desde o mestrado trilhei um caminho que envolveu os aspectos funcionais do corpo, como as experiências sensoriais e perceptivas das práticas rituais religiosas e seus reflexos no comportamento de seus adeptos. O movimento religioso Nova Era, pela sua proximidade com o proselitismo yoguico, sempre esteve muito associado de minhas investigações, mas a difícil identificação e delimitação do “nova era” me fez obrigado a adentrar com mais enfoque na sociologia da religião para compreender os atores sociais do yoga e suas construções narrativas, formação de novos mitos, ressignificação de suas antigas escrituras, o surgimento de novas co...

September 13, 2019

O que buscarei demonstrar com as próximas publicações (uma série de textos ao longo dos próximos meses, todo dia 13 de cada mês), é apresentar todo o meu trabalho acadêmico desde o meu mestrado até o meu pós-doutoramento em meados de 2019. A partir deste ensaio aqui, vocês terão a oportunidade de entrar em todo os caminhos e descaminhos em busca de compreender melhor o Yoga e a sociedade brasileira. Para isso, início na Índia da virada do séc. XIX até a chegada do primeiro swami aos EUA e a chegada do yoga, como expressão bastante nebulosa nos países latino-americanos. Boa leitura e divirtam-se!

RESUMO

Buscou-se aqui apresentar a história e as influências dos primeiros personagens da yoga em América latina, pois existe uma lacuna de pesquisa acadêmica sobre a yoga latino-americano entre os anos de 1900 e 1950, quando ainda não havia nenhum yogue indiano no continente. Este isolamento, em vez de adiar o advento da religiosidade yoguica, trouxe problemas e soluções que cinco figuras-chave...

June 13, 2019

Introdução

  

É muito comum entre os yogues brasileiros contemporâneos uma associação espontânea entre a espiritualidade do Yoga à noção de busca pela “Plenitude”, como sinônimo de inteiro, perfeito ou completo. Entretanto, os yogues, ao contrário dos cristãos por exemplo, acreditam já nascerem plenos. Portanto, falar em busca não faz sentido dentro da filosofia yoguica, pois buscar enseja que algo falta e deseja-se alcançar. Para um cristão é lícito desejar a "Plenitude/Redenção", pois se compreendem imperfeitos e, portanto, pecadores. Por isso os cristãos (e devotos religiosos advindos de filosofias dualistas, como os judeus, protestantes e mulçumanos por exemplo) denominam essa busca final espiritual de Redenção; ou seja, redimir ou recuperar as suas falhas e faltas para alcançar o Céu e não decair no Inferno - ou algo similar. Mas entre os yogues, considerando-se Perfeitos, completos, inteiros desde o "nascimento", nada deseja-se obter: seja a própria plenitude, autoco...

April 13, 2019

3.1.  As origens do ioga brasileiro a partir da história latino-americana

Não é tarefa fácil traçar um panorama histórico e social do ioga na América Latina. Sempre que buscamos referências do ioga, invariavelmente, o encontramos descrito sem identidade própria e parte indistinta de algum outro fenômeno religioso. É como se o ioga apenas “emprestasse” partes da sua doutrina e práticas rituais corpóreas para compor outras espiritualidades, sem possuir microuniverso religioso próprio de atuação (ver GUERRIERO, 2006; Id., 2014).

O caráter mais terapêutico das práticas ioguicas são as que recebem o apelo maior do meio acadêmico. Para um praticante do ioga e cientista da religião, entretanto, o ioga já está bem documentado como possível fenômeno religioso autônomo em processo (DeMICHELIS, 2004; JAIN, 2014; GUERRIERO, 2014) – e ser religioso/espiritual não é menor sob o ponto de vista cognitivo. Mas não foi sempre assim, o ioga dos seus períodos antigo e medieval era percebido como d...

March 13, 2019

As investigações com o Yoga hoje em dia concentram-se, sobremaneira, em seus benefícios para a saúde (uma forma laica de praticar e vivenciar o Yoga), ou de suas repercussões experienciais místico-religiosas (dos chamados "neuroteólogos"). Contudo, ambos, não levam em consideração a sua doutrina religiosa/espiritual. Assim, pouco se sabe das reais interlocuções acontecendo (você gostando ou não) entre Yoga e a sociedade, a cultura, a economia e, obviamente, aspectos comportamentais do brasileiro e a sua religiosidade. Acredita-se, por exemplo que, mesmo praticado em ambiente laico, mais de 40% dos praticantes de meditação desenvolvam uma certa religiosidade/espiritualidade (R.CARDOSO, em seu livro sobre meditação, 'Um médico ensina a meditar'). Essa é a terceira via de investigação do Yoga contemporaneamente em pauta.

E qual a Ética do Yoga? Leia-se sentido de vida! O Yoga acredita, por exemplo, que o aumento da "atividade mental" ou do estado de "desatenção" (c...

November 13, 2018

A meditação é uma prática ancestral que se perde no tempo a sua origem. Entretanto, a sua primeira sistematização como método religioso pode ser encontrada dentre as escrituras hinduístas (Yoga-Sutras), por volta do século II a.C.; e definida operacionalmente como a “diminuição voluntária das modificações da mente/consciência” para comunhão com Deus (ELIADE, 2000, pp. 88-101).

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A meditação, contudo, foi sendo adotada por diversas outras religiões, como o budismo, o taoísmo, o islamismo, o judaísmo e o cristianismo, para citar algumas (KAPLAN, 1985; ODIER, 2003; KUGLE, 2012; HOLLYWODD & BECKMAN, 2012; EIFREN, 2015, pp. 3-16). Em cada uma delas, no entanto, técnicas  específicas foram sendo elaboradas para cada método, tradição ou escola de pensamento. Por técnica meditativa pretende-se compreender o formato da meditação propriamente dita - como as meditações baseadas em visualizações, recitações, observação dos pensamentos e/ou ritmos corporais e respiratórios e outros. Por método medita...

January 13, 2016

Há muito em minhas aulas alerto do benefício de ser ler o texto mais basilar da cultura ioguica sem comentários e, só depois, ler o que outros pensaram sobre o que significam. Abaixo tive a paciência de transcrever todos os sutras de Patanjali suprimindo os comentários. Por pura praticidade utilizei as traduções de Taimni e Mehta, mas você pode e deve incluir outras.

Divirta-se!


Seção I – SAMADHI PADA

I-1)Taimni:  (Será feita) agora uma exposição do Yoga
Mehta: Agora começa uma discussão sobre o Yoga

Gulmini: Agora, a instrução do Yoga


I-2)Taimni:  Yoga é a inibição das modificações da mente
Mehta:Yoga é a dissolução de todos os centros de reação da mente

Gulmini: Yoga é a supressão dos movimentos da consciência

I-3)Taimni:  Então, o vidente está estabelecido em sua própria natureza essencial e fundamental
Mehta:Neste estado, o vidente está estabelecido em sua própria natureza original

Gulmini: Isto feito, obtém-se a permanência da testemunha em sua natureza própria

I-4)Taimni: : Nos ou...

December 13, 2015

Vivemos em uma sociedade ocidental do consumo, desde pequenos somos educados a construir, consumir e jogar fora “coisas”, nada dura muito tempo. Já cunharam vários nomes para esse modelo desde sociedade líquida-moderna, passando por ultramoderna ou simplesmente uma continuação da sociedade moderna. No entanto, o que é certo, é que produzimos um novo ethos e visão de mundo nas sociedades ocidentais contemporâneas, independente da denominação que adotemos. As religiões, como constructos humanos, estão também em constante mudança frente ao processo histórico da humanidade. 

A ligação entre saúde, cura e religião é algo bastante evidente e sempre constante nos estudos sobre religião, assim, é lícito pensar que mudanças no conceito de saúde de uma sociedade também influencia na compreensão que os religiosos fazem de suas próprias religiões. O yoga desde o período medieval indiano viu-se envolto em processos de cura, inicialmente com a sua medicina tradicional, o Ayurveda, e agora modernament...

December 13, 2014

Introdução

         Tanto a moralidade quanto a necessidade de compreensão do mundo para Weber, nascem como movimentos endógenos à racionalização religiosa, por isso que ele, ao procurar as raízes da especificidade da cultura ocidental, tenha dado especial atenção ao estudo comparativo das grandes religiões. Mas qual seria a especificidade moral ocidental? Em que medida essa especificidade teria a ver com o que estamos chamando de ideologia do atraso brasileiro? (p.18-19). Essa é a grande pergunta que percorre o livro em questão organizado por Jessé Souza.

        

Jessé Souza nos introduz a tese weberiana na primeira parte buscando responder por que nós brasileiros, mesmo sendo colonizados antes dos norte americanos, nos consideramos tão atrasados economicamente. A sua argumentação percorre as diferenças do ethos do católico e do protestante para buscar uma hipótese a sua questão.

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