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yoga contempor​âneo

Discussão

Resultados da Pesquisa

Meus primeiros passos na Ciência da Religião sempre foram um tanto quanto incertos, cautelosos, trôpegos até em muitos momentos. Sem saber muito bem por onde seguir, como não poderia ser diferente, fui tateando áreas afins ao meu conhecimento, como a fisiologia, o yoga, a sociedade brasileira e a filosofia do corpo. Deste modo, desde o mestrado trilhei um caminho que envolveu os aspectos funcionais do corpo, como as experiências sensoriais e perceptivas das práticas rituais religiosas e seus reflexos no comportamento de seus adeptos. O movimento religioso Nova Era, pela sua proximidade com o proselitismo yoguico, sempre esteve muito associado de minhas investigações, mas a difícil identificação e delimitação do “nova era” me fez obrigado a adentrar com mais enfoque na sociologia da religião para compreender os atores sociais do yoga e suas construções narrativas, formação de novos mitos, ressignificação de suas antigas escrituras, o surgimento de novas co...

February 13, 2019

O ser humano é um animal fraco mas consciente de sua finitude. Isso o diferencia sobremaneira de qualquer outro ser vivo: é um bicho finito mas que se pensa imortal. Por isso que na gregariedade, os seres humanos constroem (socialmente) os mais diversos “ordenadores de realidade” para negar a morte (e recalcar seus desejos também): Filosofias, Religiões, a própria Ciência, os Mitos e o Senso-Comum cotidiano (do "que é porque é"), são alguns dos exemplos. Em outras palavras, erigem instituições (ou agenciamentos) com os seus próprios agentes sociais para suportar toda a sorte de infortúnios. Estes engenhosos animais, conscientes da brevidade de suas existências pueris (única verdade absolutamente, e fato incontestável), desenvolvem (e seguem fielmente) os mais diversos papéis sociais (sacerdotes, filósofos, cientistas, marceneiros, advogados, CEO da Ambev, funcionários do setor bancário e etc) que cada um deles deve/precisa(?) obedecer (acreditam) para que as suas vidas em grupo tenham...

January 13, 2019

Muitos afirmam que vivemos no Brasil em um momento polarizado. Mas acho que não, enfrentamos de forma nítida duas realidades de encarar a existência. E vou tentar aqui demonstrar isso de forma simples (na medida do possível) e correlacionar com o microuniverso do Yoga BR.

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De uma forma geral, podemos separar essas "polaridades" yoguicas em homens e mulheres que percebem (ou se "ligaram" agora) o mundo de forma "ideal" e outros em "construção".

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Pois bem, os “idealistas" acreditam que a Verdade é uma só, única e absoluta. Já os “construtivistas" creem na verdade como relativa, pois depende do contexto social, espiritual e psicobiológico em que está inserida para existir. Existe uma terceira via explicativa? Talvez sim. Mas o que é preciso ficar claro desde já, é que para os yogues "construtivistas", a verdade dos idealistas também existe; não obstante, para a verdade idealista/essencial viver, é necessário um esforço tremendos dos idealistas em conservar a sua verdade intocada, portanto,...

December 13, 2018

Os que são os klesas para o ioga? São as causas do sofrimento humano. A Ignorância, como primeiro klesa (lit.veneno) seria a "mãe" de mais 4 comportamentos nefastos a todo praticante/adepto a cosmovisão ioguica: Apego, Aversão, Medo da Morte e "Orgulho" ou a Falsa Identidade de Si-mesmo. Seriam os klesas que causariam o "turbilhão da mente/consciência" que nos enredaria mais e mais em um ciclo infinito de dor e transmigração da alma. A proposta do yoga "clássico" elaborado por um brâmane hinduísta (Patanjali) estaria em seguir um caminho espiritual de 8 passos: Yamas e Niyamas (espécie de código de conduta), Asana e Pranayama, que conduziria a Prathyahara (experiência/estado onde os estímulos sensoriais externos diminuiriam a sua influência interna), Dharana e Dhyana (a meditação propriamente dita) e Samadhi (uma espécie de epifania yoguica ou encontro com deus/Isvara). Qual a graça do artigo aqui na sua frente? Pensar os klesas como emoções e não como um "código moral" absoluto advind...

November 13, 2018

A meditação é uma prática ancestral que se perde no tempo a sua origem. Entretanto, a sua primeira sistematização como método religioso pode ser encontrada dentre as escrituras hinduístas (Yoga-Sutras), por volta do século II a.C.; e definida operacionalmente como a “diminuição voluntária das modificações da mente/consciência” para comunhão com Deus (ELIADE, 2000, pp. 88-101).

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A meditação, contudo, foi sendo adotada por diversas outras religiões, como o budismo, o taoísmo, o islamismo, o judaísmo e o cristianismo, para citar algumas (KAPLAN, 1985; ODIER, 2003; KUGLE, 2012; HOLLYWODD & BECKMAN, 2012; EIFREN, 2015, pp. 3-16). Em cada uma delas, no entanto, técnicas  específicas foram sendo elaboradas para cada método, tradição ou escola de pensamento. Por técnica meditativa pretende-se compreender o formato da meditação propriamente dita - como as meditações baseadas em visualizações, recitações, observação dos pensamentos e/ou ritmos corporais e respiratórios e outros. Por método medita...

September 13, 2018

Quando Karl Marx, Friedrich Nietzsche e Sigmund Freud condenaram o cristianismo como alienação, escravidão e ilusão para as pessoas, estavam, antes de clivar uma religião, criando - cada um à sua maneira - uma nova “narrativa explicativa de mundo”.

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Todos eles, assim, desenvolveram as suas próprias “Igrejas”, por assim dizer: Sociedade sem classes, Super-homem e a Psicanálise, são cosmologias que produzem muitos discípulos ainda, muito mais do que pensadores. Todavia, a ruptura hegemônica de uma única versão da Verdade (a religião católica, sobretudo, que Marx, Freud e Nietzsche criticaram) induziram transformações sociais, econômicas importantes, mas não acabaram com a religião, pelo contrário, produziram novas. Após eles (e claro que há muitos outros pensadores importantes antes e depois destes), houve um descrédito (e até certa ojeriza) às religiões dominantes. Se instaura na Europa da virada do século XIX-XX, um processo de ruptura sistemática de qualquer aproximação do Estado com...

August 13, 2018

Podemos dizer que, historicamente, o ioga moderno tem início em 1757 com o início da colonização britânica na Índia; e desembarca no Ocidente, oficialmente, em 1893 com o swami Vivekananda (1863-1902) em Chicago, nos Estados Unidos. A sua visita foi, por convite do primeiro parlamento mundial das religiões, como representante do Hinduísmo. Para Vivekananda, iogue discípulo de Ramakrishna (um dos líderes religiosos que lideraram o movimento nacionalista indiano), o ioga é considerado como um ideal de religião universal (VIVEKANANDA 2007)4. Com ele, mas não por causa dele exclsuivamente, o ioga inaugura o seu período moderno.

O ioga apresentado por Vivekananda é o de uma tradição religiosa voltada ao ser humano alcançar a sua verdadeira liberdade e manifestar a divindade interior. Vivekananda, e não iogues ocidentais, dão início a desvinculação do ioga como um darsana hinduísta (lit. perspectiva filosófica-religiosa do hinduísmo), para a concepção de uma nova e singular religião (DeMICHEL...

March 13, 2018

Introdução

            Vivemos em uma sociedade do cansaço. O tempo é escasso e ninguém se permite a perde-lo. Parece que se vive constantemente em apneia. A alegoria parece exagerada, mas a respiração curta, como reflexo fisiológico, acarreta menor captação de oxigênio do ambiente e a percepção é de total esgotamento físico. Não é coincidência também a resposta trivial a uma pergunta bastante proferida no dia-a-dia: Como é que você está? Está fazendo o quê? O seu dia hoje, como o sente? A resposta é quase (obrigatoriamente) sempre a mesma (e com certo orgulho em alguns núcleos sociais): Na correria!

            Com isso, estamos contraindo doenças manifestas não por agentes físicos, como um vírus ou bactérias, mas por agentes mentais ou subjetivos. Enquanto as primeiras podemos identificar com microscópios e outras máquinas da medicina moderna como ressonantes magnéticos e tomógrafos por emissão de pósitrons, agentes mentais ou subjetivo...

November 13, 2017

foto cedida por Glauco Tavares

Eu quero aqui esclarecer de forma mais clara a tese que defendo sobre a estrutura econômica-espiritual que sustenta a economia dos líderes ioguicos brasileiros, sobretudo a relação entre Escolas de Yoga e os Cursos de Formação de novos professores.

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Antes de iniciar é necessário compreender que o microuniverso ioguico brasileiro está em formação, por isso, talvez, a dificuldade de alguns em perceber essa dialética. Outro empecilho é o escasso número de estudos sobre o ioga fora do âmbito das terapêuticas espirituais.

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Um dos argumentos contrários é que o modelo de várias escolas, como as franquias adotado pelo Mestre DeRose que defendo no artigo “Filhos do DeRose” (em outro post com o mesmo nome) não é verdadeiro, pois, afirmam (na sua maioria, ex-alunos do próprio DeRose), que os professores de ioga possuem apenas uma escola (e não várias) - ao contrário do DeRose e semelhante a outro iogue brasileiro, Prof.Hermógenes. Outra é que este “modelo empreendedor”...

October 13, 2017

           

O que são os yogis no Brasil, profissionalmente falando? Professores, terapeutas ou guias espirituais? São estas, perguntas legítimas de se fazer. E ela não é retórica; há realmente uma vácuo, um silêncio sobre o assunto. A resposta em geral é vaga, pois demonstra que não sabem ou pior, temem saber. Bem, vamos buscar dialogar sobre a questão nas próximas linhas.

Se o yogi for, profissionalmente categorizado como professor, ele ensina o quê especificamente? Uma filosofia prática que visa dar sentido a vida das pessoas com a promessa de uma vida boa por meio de um ritual corporal e uma filosofia indiana? Essa é a resposta que um bom professor (ou aluno antigo) lhe responde de bate-pronto. Mas depois de 5 segundos de reflexão, você percebe o quão vasta ela se torna. Uma prática regular de yoga, aquela que você paga 150-400,00/mês por 2-3x/sem envolve 60-90% de posturas físicas e, se tiver sorte, 10% entre relaxamento e meditação...

September 13, 2017

Há duas perspectivas teológicas que gostaria de analisar ao microuniverso ioguico moderno: a do Deus Imanente e o Transcendente. A teologia transcendente engloba as espiritualidades/religiões que percebem Deus/Energia/Absoluto/Isvara fora: o Bem, a Perfeição ou o Eterno vive em outro mundo e olha por nós. Nós somos (seres humanos exclusivamente - e não os outros bichos e materiais inorgânicos) a imagem e semelhança Dele. O objetivo da vida é aproximar-se Dele, seja por meio de rituais e/ou vivendo Sua doutrina e/ou Seus passos. O fim do sofrimento humano é alcançado pela Graça concedida por Deus: nossa Redenção se dá por intermédio e somente por Ele. Não há nada que você possa fazer para "manipular" sua Salvação ou Libertação espiritual.

A teologia imanente percebe Deus dentro de nós. Nesta perspectiva teológica nascemos perfeitos, e o fim do sofrimento humano só depende de nós mesmos. Não somos reflexos d'Deus, mas parte Dele; Deus não olha por nós, mas somos seus olhos por assim dizer...

Algo bem interessante vem ocorrendo com o ioga no Brasil. Ele vem ajudando a transplantar uma nova religião no Brasil, o sikhismo. A escola de ioga 3HO Brasil de Kundalini ioga é uma instituição com todos os princípios éticos e mística da religião Sikhi, mas com roupagem de ioga (ou o contrário). O sikhismo é uma religião que surge na Índia em resposta a instabilidade política e social entre o hinduístas e o muçulmanos - assim como outros movimentos religiosos. Do sincretismo entres estas duas religiões (Hinduísmo e Islamismo) nasce o Sikhismo. A pesquisa ainda é embrionária, mas sete são nossas hipóteses para compreender a imbricação entre os sikhis e os iogues no Brasil:

1- O Shikismo vem do Hinduísmo e Islamismo (especificamente nasce entre os místicos sufis), entretanto, nenhuma dessas duas religiões são "populares" no Brasil ainda, "não pegaram" por assim dizer. Mas o ioga "pegou", deu tanto certo que se desvinculou do Hinduísmo e da Nova Era e já possui singularidades brasileiras...

December 13, 2016

Se este mundo é uma ilusão, a busca ideal dos iogues é alcançar kaivalya, um estado de "real" percepção do mundo por meio de condutas pré-estabelecidas. Estas - condutas pré-estabelecidas, como o asthanga-yoga - foram erigidas por indianos "iluminados" de quem só conhecemos por comentadores e/ou decodificadores "divinos" - seja Patanjali, Shankara, Vyasa e outros tantos.

Desse modo, é lícito afirmar, que mesmo que kaivalya esteja na imanência (deste mundo e não em outro, como Céu, Paraíso, Sociedade sem classes de Marx ou Nirvana), os iogues negam a vida em busca de um ideal superior. Em outras palavras, em nome de valores absolutos - kaivalya, samadhi, todos os yamas e niyamas, o vedanta e etc - nega-se o corpo e as suas pulsões por um ideal de mundo ordenado cosmicamente, pois acreditam que o mundo e o corpo em contato obscurecem a sua "alma/purusa" - imaculada, portanto, ideal - causando assim, "agitação mental"; algo no senso comum ioguico, nefasto "por natureza".

Assim, busca-se m...

September 18, 2016


 

Há muito em minhas aulas alerto do benefício de ser ler o texto mais basilar da cultura ioguica sem comentários e, só depois, ler o que outros pensaram sobre o que significam. Abaixo tive a paciência de transcrever todos os sutras de Patanjali suprimindo os comentários. Por pura praticidade utilizei as traduções de Taimni e Mehta, mas você pode e deve incluir outras.

Divirta-se!


Seção I – SAMADHI PADA

I-1)Taimni:  (Será feita) agora uma exposição do Yoga
Mehta: Agora começa uma discussão sobre o Yoga

Gulmini: Agora, a instrução do Yoga


I-2)Taimni:  Yoga é a inibição das modificações da mente
Mehta:Yoga é a dissolução de todos os centros de reação da mente

Gulmini: Yoga é a supressão dos movimentos da consciência

I-3)Taimni:  Então, o vidente está estabelecido em sua própria natureza essencial e fundamental
Mehta:Neste estado, o vidente está estabelecido em sua própria natureza original

Gulmini: Isto feito, obtém-se a permanência da testemunha em sua natureza própria

I-4)Taimni: : Nos...

January 13, 2016

Há muito em minhas aulas alerto do benefício de ser ler o texto mais basilar da cultura ioguica sem comentários e, só depois, ler o que outros pensaram sobre o que significam. Abaixo tive a paciência de transcrever todos os sutras de Patanjali suprimindo os comentários. Por pura praticidade utilizei as traduções de Taimni e Mehta, mas você pode e deve incluir outras.

Divirta-se!


Seção I – SAMADHI PADA

I-1)Taimni:  (Será feita) agora uma exposição do Yoga
Mehta: Agora começa uma discussão sobre o Yoga

Gulmini: Agora, a instrução do Yoga


I-2)Taimni:  Yoga é a inibição das modificações da mente
Mehta:Yoga é a dissolução de todos os centros de reação da mente

Gulmini: Yoga é a supressão dos movimentos da consciência

I-3)Taimni:  Então, o vidente está estabelecido em sua própria natureza essencial e fundamental
Mehta:Neste estado, o vidente está estabelecido em sua própria natureza original

Gulmini: Isto feito, obtém-se a permanência da testemunha em sua natureza própria

I-4)Taimni: : Nos ou...

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