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Os Yogins-Xamãs estão voltando


Podemos pensar em 2 tipos de yogins, os que buscam moksa, nirvana ou a “iluminação”, e os que desejam o aumento de “potência”, de siddhis ou fusão com brahman.

Os primeiros - yogins e seus yogados metafísicos (ideais e universalistas) - se caracterizam por vidas sedentárias, aquelas entorno de uma comunidade moral, por isso mesmo, muito mais próximos do Yoga como religião. O Yoga para estes, orbita por filiações à líderes carismáticos, livros sagrados e ‘tradições espirituais comunais’. São, assim, imitadores e reprodutores de memórias e histórias do yoga em sua 'Época de Ouro' ou Satya-yuga. Operam em seus corpos, portanto, a paranoia de resgate de um passado idílico como uma espécie de messianismo yoguico.

Os segundos - yogins e seus yogados imanentes (reais e transversais) - possuem vidas nomádicas organizando-se em ‘comunidades guerreiras’; por isso, são yogados e yogins mais próximos da Magia em ‘Espiritualidades Anti-Plenitudes'. O yoga para estes orbitam por alianças laterais e seus devires; são, assim, yogins-xamãs ou feiticeiras que criam mundos em perspectivismo. Operam em seus corpos a esquizofrenia criativa de visita ao ancestral, mas atualizando-o no presente, pois enfrentando as contradições dessa transplantação, passam a inventar futuros impossíveis, abrindo oportunidades ao novo e à diferença.

Estes 2 tipos (yogin/yogado-paranoico e o esquizoyogin/yogado) sempre estiveram presentes na literatura e relatos históricos do yoga asiático. Um exemplo clássico é o Yoga-Sutras de Patanjali, que é uma sistematização do tipo 1 e descrição pejorativa dos yogins tipo 2. Entrementes, um ‘terceiro tipo’, ou talvez sub-espécie do segundo, surge na contemporaneidade a partir de duas linhas-de-fuga: do yogin carismático, aquele que detém os meios e modos de produção simbólica e material do Yoga; e o yogin “livre”, que só dispõe de seu corpo como força-de-trabalho ao recém mercado terapêutico espiritual moderno. Ambos, servem à Grande Indústria do Bem-Estar Mundial como seus especialistas de autoajuda, ao lado do coaching's, cerimonialistas de beberagens psicodélicas e os sacerdotes-cientistas da nova-era.

Tenho comigo que os yogins-feiticistas ou sidhantas, aqueles que objetivam siddhis (e não moksa ou a “iluminação”) formariam os yogados da nova geração ainda por vir. Afirmo isso, pois poucos são os que, contemporaneamente, desejam filiar-se (conscientemente) a um igrejamento yoguico, nem tampouco, se tornar discípule de algum guru carismático como em outros tempos. Além disso, o que observo, é hoje os aspectos feiticistas do yoga retomando seus espaços novamente, mas com novas gramáticas. Por exemplo, raros os que discursam praticar/ensinar Yoga para ascensão de kundalini que deverá perfurar os ‘nós’ dos chackras na fusão das forças lunares e solares (ou Shiva/Shakti). Nada disso, hoje, ouvimos sobre meditar/yogar para mobilizar as “energias” da Serotonina, Dopamina, Melatonina e de alguns neurônios que ‘habitam’ em partes específicas do encéfalo; ou ainda, para arrefecer as ações ‘demoníacas’ do Cortisol que ‘vive’ nas Suprarrenais promovendo a fúria do Estresse, esse espírito obsessor e agitador de almas/mentes distraídas. Há, portanto, uma continuação da milenar mitológica yoguica e sua inconstante mutação, sorvendo a realidade à sua volta como um bricoleur que sempre foram.


Nunca houve (ou haverá) um yoga maior e outro menor


Compreendamos que não há yogins asiáticos percorrendo as ruas pichadas de Osasco ou Medellin como se estivessem em Varanasi, Rishikesh ou Rajastão pré-modernas. A realidade, da imensa maioria, são Yogins Livres cansades de tentar servir a Yogins Déspotas (ou carismáticos) em troca da Bem-Aventurança que nunca chega. Já há uma clara percepção - do fim do feitiço/fetiche ou maya - da dívida infinita em que se meteram por quase um século de serviços devocionais - seja a um guru, um livro, uma igreja ou à Indústria do Bem-Estar - decidem, uma vez mais na história do Yoga, abrir uma nova linha-de-fuga e retomar o processo criativo dos yogados xamâmicos que sempre estiveram presentes entre as epistemologas espirituais do Sul.


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