Nota sobre os valores, as crenças e a proposta do ioga

February 3, 2012

 

Quais são os valores do Yoga? 

Os Yamas e os Niyamas: a prática da não-violência, não faltar com a verdade, buscar viver sem se apropriar de algo que não seja seu e de forma não possessiva, manter-se atento a sua sexualidade. Manter o seu corpo e ambiente em que vive limpo, contentar-se com tudo com que a vida lhe ofereça, manter hábitos corretos com a alimentação, o sono, o trabalho, o lazer e a prática física, auto-estudo constante para avaliar os seus progressos e fracassos, e a entrega da sua vida à Deus.

 

Quais são as crenças do Yoga?

A teoria dos Klesas nos explicam: o sofrimento humano vem da sua ignorância em não se perceber livre. A ignorância vem do "turbilhão da nossa consciência" (vrittis), que é a mãe de 4 emoções nefastas, o apego, a aversão, o orgulho (ou a falsa identidade de si-mesmo) e o medo da morte (e da vida); que por sua vez, alimentam (os klesas) ainda mais os vrittis! Se torna um ciclo vicioso.

 

Como sair deste ciclo de sofrimento?

Com a prática do Asthanga Yoga preconizado por Patanjali, que não é a escola de Hatha-Yoga de Krishnamacarya, é uma filosofia ou um projeto de vida, na verdade, é a alma da espiritualidade yoguica.

 

Em que consiste o Asthanga Yoga?

Basicamente, um caminho espiritual composto por 8 passos: a vida vivida sob os valores do Yoga (yamas e niyamas) são os 2 primeiros passos. Depois vem os ásanas, os pranayamas, a parte "prática" do Yoga, que na Id.Média sob outras influências incluíram os kriyas, as limpezas orgânicas e sutis do Yoga. Ai vem o próximo passo, prathyahara, um estado de consciência aonde os estímulos sensoriais externos nos afetam de forma ímpar, ou seja, não nos abalamos mais tanto com o burburinho do mundo. Depois a prática meditativa em si: dharana e dhyana, estados no qual há cada vez menos "objetos" transitando em nossa consciência. E, por último, o chamado samadhi, uma experiência espiritual que nos integra de forma mais sutil com o objeto de meditação e com o nosso próprio ser.

 

E aí acabou?

Não, ai começa. Até agora foi somente uma trilha. Em samadhi, temos a possibilidade de experimentar e vivenciar um tipo de sabedoria com maior discernimento, chamado de viveka. Em viveka, as nossas decisões são mais assertivas e em comunhão. Numa comparação, talvez não muito feliz, e até provocativa, seria quando um neo-pentecostal nos diz que foi "tocado pelo espírito santo" ou "pela Palavra do Senhor". A cada samadhi e viveka vivido vamos nos aproximando mais e mais de Deus e de nós mesmos, até experienciarmos kaivalya ou liberdade, o objetivo último preconizado pela proposta soteriológica do Yoga. Depois de ter atingido kaivalya, os kriyas, ásanas, pranayamas, prathyaharas, dharanas, dhyanas e samadhis não tem mais sentido, pois você já está livre e não precisa de mais nenhum subterfúgio ou "técnica espiritual".

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