Se Nietzsche comentasse o yoga

December 13, 2016

 

 

Se este mundo é uma ilusão, a busca ideal dos iogues é alcançar kaivalya, um estado de "real" percepção do mundo por meio de condutas pré-estabelecidas. Estas - condutas pré-estabelecidas, como o asthanga-yoga - foram erigidas por indianos "iluminados" de quem só conhecemos por comentadores e/ou decodificadores "divinos" - seja Patanjali, Shankara, Vyasa e outros tantos.

 

Desse modo, é lícito afirmar, que mesmo que kaivalya esteja na imanência (deste mundo e não em outro, como Céu, Paraíso, Sociedade sem classes de Marx ou Nirvana), os iogues negam a vida em busca de um ideal superior. Em outras palavras, em nome de valores absolutos - kaivalya, samadhi, todos os yamas e niyamas, o vedanta e etc - nega-se o corpo e as suas pulsões por um ideal de mundo ordenado cosmicamente, pois acreditam que o mundo e o corpo em contato obscurecem a sua "alma/purusa" - imaculada, portanto, ideal - causando assim, "agitação mental"; algo no senso comum ioguico, nefasto "por natureza".

 

Assim, busca-se mais um estado ideal: o da mente sem "agito" ou algo parecido para que se vislumbre um ideal de humano que você já é, mas não sabe (purusa). Não sei se você percebeu, mas é mais uma "ficção de cura" ou sistema de crenças (um complexo cultural erigido para dar sentido a vida de uma dada sociedade). É na religião que mundos, corpos, e indivíduos ideais existem - estes últimos são denominados de deuses, divindades e etc. Qual a diferença de kaivalya para o paraíso cristão, o nosso lar espírita, o mito da caverna platônico ou o nirvana budista? São todos ideais (kaivalya, samadhi, yamas, niyamas, asana e etc) de um mundo ideal - sem sofrimento portanto - em que devemos seguir preceitos morais na esperança de uma recompensa religiosa/espiritual, que só se tem certeza na fé de suas escrituras e experiências pessoais místicas, desde que seja ensinada por um "mestre iluminado" ou seguidor de um siddha ou qualquer outra idealização de igual equivalência.

 

Então o yoga é uma farsa? Não necessariamente, conquanto que permita a você erigir a sua verdade sem receitas de auto-ajuda. Mas como sem as escrituras, os mestres para ensinar o "correto" das práticas, explicar o que significam as experiências que "devo" (ou vou) sentir, alguém que me pegue pela mão e me faça sair do lugar pelo medo de adentrar a floresta da vida vivida sem atalhos fantasiosos/ideais? Mas o objetivo do yoga não é libertação? Qual o contrassenso que você ainda não entendeu? O yoga pode ser um modelo mental que o escraviza ou o liberta. Quer uma apostila para a vida? Faça a sua... (mas não tente vende-la aos outros como Verdade Absoluta; saiba que é seu sistema de crenças).

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