A Indústria do Yoga: Adorno, Patanjali e você



Aqui vai mais um rolê monstro. Mas utilizaremos uma combinação de áudio com o podcast acima no vídeo e acompanhando o texto abaixo a partir de 3 marcos teóricos:


(a) a teoria crítica de Adorno da Indústria da Cultura;

(b) conceito de Geertz de Cultura como Religião, para puxar o yoga como espiritualidade| cultura;

(c) por trás de tudo nossos queridos espinosistas de sempre Deleuze e Guatarri.


Borá aumentar vrttis?


(1) Padronização do(s) yoga(s) como mercadorias, a criação da ilusão da dependência desses produtos comercializados e o "gosto" que seus consumidores| adeptos se submetem pensando livres.


(2) Atrofia da Imaginação organizando a percepção do seu público (o microuniverso yoguico).


(3) Homogeneização do yoga como mercadoria, e seus diversos produtos (aulas, satsanghas, retiros, viagens e etc), que parecem diferentes, mas se revelam a mesma coisa.


(4) Expropriação da relação viva com as coisas, ou seja, ao invés do "ócio" como possibilidade de exercer a autocrítica (sobre si-mesmo e os outros e o meio em que vive), o "lazer" como complementar ao trabalho, como diversão. Resultando na manutenção de indivíduos "distraídos" ou alienados| avidya em busca das suas pequenas-doses-de-alegria diárias e não de mais potência para mais vida(s).


(5) Promessa não cumprida, ou seja, o yoga mercadoria logra seus consumidores, prometendo algo (kaivalya| libertação?) que não se cumpre, gerando uma dívida infinita, que só alimenta mais e mais a indústria (cultural) do yoga.


(6) A corrupção do trágico e a confirmação da ordem (cósmica| mágica?), pois a vida dura, sofrida (no pain, no gain) se consolida como trágica, submetendo os seus a ela como gesto heróico. Aqueles que não (conseguem) se adaptar (são desviantes, marginais, pervertidos, deturpadores, imorais...do yoga) e não punidos; e a ordem volta a se reestabelecer purgado o infiel (as leis do mercado capitalista que só visa o capital| lucro). O mundo fica mais seguro sem os esquizoyogui(ni)s.


(7) Pseudo-yogui(ni) se entende substituível, mais uma peça: "não sou eu quem falo, pratico, mantro... mas é a tradição que faz por mim". Ninguém mais se sente único, singular, diferente.


(8) Isolamento, pois a publicidade torna palatável todo esse esquema industrial yoguico| meditativo. Todos estão conformados que não (pode) há o que mudar: "tudo pleno né?". A publicidade produz signos destituídos de qualidades: alguém diz karma, dharma, asana, pranayama, ahimsa, kaivalya, samadhi, automaticamente, já sabe exatamente o que pensar e agir sobre. Já está tudo dado, isolado, "óbvio", naturalizado... ou alienado na mais completa ignorância (avidya?).


Tudo se torna, então, impenetrável (isolado o seu significado intuitivo), pois se expropria a autocrítica no yoga industrializado e "publicizado": o oposto de svadhyaya? . Em suma, qual a experiência singular se (pode?) tem com o yoga; isso hoje (atualmente nas sociedades capitalistas), mas o de ontem também; ou Patanjali não foi o primeiro a começar esse processo industrial, empacotado, "nobre" do yoga?


Referências:

GEERTZ, C. A interpretação das culturas. In: A religião como Sistema Cultural. Rio de Janeiro: Grupo Editorial Nacional. p.65-92.

FERRARI, S. (org.). 2019. Filosofia Política. In: A teoria crítica da escola de Frankfurt: emancipação e crítica ao esclarecimento. São Paulo: Ed.Saraiva. p.4664-5268.

STARK, R. & BAINBRIDGDE, W. 2008. Uma teoria da religião. In: Sacerdotes e Magos. São Paulo, Ed.Paulinas. p.113-152.


Divirta-se hermaxs!


Site: https://www.yogacontemporaneo.com/

Insta: @yoga_contemporaneo Plataforma EAD (de baixo-custo): https://robertosimoes.eadplataforma.com/


Prof.PhD.Roberto Simões Mestre

Doutor e Pós-Doutor em Ciência da Religião pela PUC-SP, pesquisador do Centro de Estudos em Religiões Alternativas do Brasil pela mesma instituição e revisor da Revista de Estudos da Religião sobre a temática Yoga e Meditação. Atualmente edita o Site Yoga Contemporâneo, produz conteúdo no Podcast Yoga Contemporâneo e Cursos livres de baixo-custo na Plataforma EAD Roberto Simões.


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