Respondendo a alunes na Plataforma EAD

Atualizado: Nov 21

Prof, fiquei pensando aqui: será que a definição clássica dos yoga sutras de que "yoga é o estado em que cessam as oscilações mentais", poderia estar falando justamente da diminuição da atividade do tálamo? Será que essa ideia de "pessoas iluminadas", como Buda, etc, teria justamente haver com o fato de serem menos reativas ao meio, e ter um tálamo menos atuante? Além de todos os outros aspectos que você trouxe sobre a circuitaria hormonal do eixo da meditação...  Grata por toda partilha, muito bom mesmo :)


Olá Aline, sim, são instigantes essas observações das relações filosóficas e éticas do yoga-sutras com as repercussões neurofisiológicas. A diminuição da atividade talâmica talvez tenha mais a ver com o estado|experiencia de prathyahara e não com o sutra 2 do cap 1 q vc descreveu acima. Por outro lado, com o tempo, acho q vc irá perceber, que é muito difícil a ciência dar conta de toda a ética (sentido de vida ou modo de existir) que envolve a proposta do YS. Sei que fica tentador essa simplificação e síntese que os estudos neurofisiológicos podem nos fornecer, mas o yoga é muito mais do que meia dúzia de neurotransmissores, hormônios, áreas encefálicas descritas e demais dados empíricos que a ciência possa fornecer. Por ex, como vimos, se colocarmos uma freira fransciscana comparado com um monge budista tibetano meditando em uma máquina de ressonância magnética, ambos demonstrarão dados empíricos muito similares - como todos esses que descrevemos aqui, mas as experiencias destes serão (e são) absolutamente distantes, há um cannyon que os separa sobre visões de mundo (mayas ou ética). Assim, tentar resumir o yoga e suas experiencias em dados empíricos neurofisiológicos, apesar de tentados "organizar" assim, é muito raso perto das potencialidades humanas. Os homens e mulheres construíram 5 grandes "edifícios" para explicar o mundo (ou seus mundos): religiões, filosofias, mitos, artes e a ciência (a mais recente, a irmã mais nova dos outros da família). Pensar o yoga (ou qq outra "coisa") por apenas um prisma é muito pobre não acha? A magia, os mitos, as moléculas e o DNA, as formas de pensar platônicas, nietzscheanas e os desenhos de Miró ou Frida ou os poemas de Fernando Pessoa ou Manoel de Barros nos fornecem, sozinhos, apenas uma olhadela no vasto mundo de encontros e composições possíveis da vida. Mas nenhuma dessas filhas humanas (arte, filosofia, ciência, mito e religião) dão conta de pensar, por si mesmas, por mais maravilhosas que os encontros com elas sejam, a vida humana.


29 visualizações