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Guru como Pedagogo da Liberdade

Atualizado: 30 de jul. de 2022



Como escolher um guru no Yoga ou para me guiar em minhas vivências contemplativas?


Então vamos lá tiozão.


Até agora pode parecer para você que esse rolê nos yogas nomádicos, experiências de “anti-plenitude”, mil platôs de viver os yogas, pedagogia yoguica à liberdade e outras paradas que invento por aqui, podem estar descoladas da ideia de um guru, mestre, professor, mentor, "pedagogo do espírito" ou qualquer outra “imagem” que você queira construir que ocupe a personagem-papel de “ajudador” na elaboração de suas próprias “clareiras na floresta” da sua vida yoguica.


Não necessariamente.


Eu, por exemplo, tive vários dessas figuras ao longo da minha vida. Alguns foram mais tradicionais, como professores de yoga mesmo, outros tantos na academia (inclusive tenho um que me orienta muito ainda - lá na academia, o denominamos de “supervisor”), e outros que eu gosto de chamar de “guias acidentais”.


Os “guias acidentais” são que aparecem numa viagem, como a de peregrinação ao Caminho de Santiago que realizei há alguns anos ou para a Índia como, talvez, muitos de vocês encontraram; há também os que “aparecem” em meditações, sobretudo aos que se dedicam a uma certa periodicidade e constância. E tantos que cruzam em processos rituais mais formais como de terreiros de umbanda, retiros yoguicos, celebrações daimistas e ao infinito.


“Ah, mas tu acreditas nisso?”


Não importa no que eu acredito, mas nos encontros alegradores, potentes, tesudos que componham com você, hermane.


Entrementes, isso não significa, e é bem diferente, em cair num materialismo e dogmatismo, conduzindo-nos a incoerência.


Tantos os materialistas quanto os dogmáticos “espiritualistas” possuem uma atitude religiosa extremista pequeno-fascista. A pedagogia da liberdade, aquela que educa yogi(ni)s ao nomadismo, têm por finalidade superar a incoerência individual e coletiva dogmática ou materialista.


Os “gurus nomádicos”, por assim dizer (só para os diferenciar dos “gurus sedentários”, regidos pela cartilha pedagógica da necessidade - deles, das suas escrituras e/ou de suas instituições fossilizadas), buscam guiar yogi(ni)s|meditadores a superar vossas incoerências via processos “bonsensuais”, nos afastando dos consensos. Isso não significa, tão somente, minimizar as contradições do yogi(ni)|meditador|aluno. E isso é realizado, sobretudo, possibilitando (juntos) o crescimento de uma consciência histórica autônoma.


Os “gurus sedentários”, no que lhe concerne, são desprovidos de autonomia histórica. Estes agem, em geral, sobre indivíduos ou coletivos yoguicos impondo-lhes apenas fragmentos filosóficos dos yogas. Formando vidas yoguicas fragmentadas e desconexas com a realidade social, política, econômica e espiritual do meio em que vivem. Há, nestes coletivos yoguicos ou individualmente, uma total ausência ou insuficiência de conexões entre os elementos da experiência individual, ou coletiva, quer por isolamento mútuo (guru sedentário e seus alunos|discípulos|yogi(ni)s) desses elementos, pois se evita o conflito dialógico.

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