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NÃO HABITAMOS, SOMOS CORPOS

Atualizado: 4 de ago. de 2022



Corpo não é plural, pois pluralismo pressupõe acúmulo e sobreposição de signos; corpo é multiplicidade ou coreografia de modos ou jeitos. Para se compreender corpo, há que desestruturar-se antes.


O corpo yogin em yogamento é movediço, por isso não o encontramos na anatomia ou fisiologia, mas em sua coreografia (tensões e intenSões): jogo de forças pedindo passagens e fechamentos. A tecnologia corporal indisciplinar yoguica, como seu arsenal de asanas ou im_posturas, mudras ou gestos, pranayamas ou condução dos ventos, kriyas ou limpezas e etc., são ensaios coreográficos a serem utilizados|incorporados na performatividade da vida. Tode yogin é um|a filósofe do corpo ou inventor de conceitos encarnados em potencial.


Quanto de vida|intensidades passam nas veias abertas de ideias|mentes tensionadas na duração de um franzir (dobras na pele) da testa? O quanto de movimento se faz necessário no gesto de dobrar os joelhos com as mãos juntas ao peito no fechar e abrir dos suryas ou numa torção da coluna. Tudo contém o organismo, corpos ou populações corporíficas estão sob (e sobre) estratos em relação.


Relembre o quanto (de força e distensão na intenção atenta) é preciso ser mobilizado em velocidades, repousos ou estabilidades num savasana?

Jnana prepara para o Hatha e todos os yogares são programas. O que me atravessa enquanto sentado lendo, pois olhar é corpo em movimento! Yogar é muito mais metabólico do que cinestésico. Por mais que se possa analisar fáscias e hormônios, estes não medem yogas - muito menos yogins em seus yogares.



Yogar|Meditar, como aprendizado freireano, é um fazimento de corpos enquanto corpo e seus afectos.


Aquilo que o comove, o toca, o abala, o fere, as formas como ele reage não expressivamente, mas performativamente àquilo que o afeta.

Yogar, seja uma sessão de prática num mat ou agora, enquanto lê, é um esforço (tapas) para:


(1) Sentir ou não passar intensidades (gunas), mas também, e sobretudo;


(2) Manter a atenção no que está passando;


(3) Não deixar de fazer passar, mas não tudo e nem qualquer coisa: não se trata de liberar geral, pois há que se construir uma espécie de barreira hematoencefálica das afecções decompositivas, abrindo os canais do que nos compõem e fechar-se as decomposições.


(4) Há que cuidar muito bem para não se atingir o pico|clímax|ejaculação. Isso não significa castrar-se, pois aí é não sentir; pelo contrário, é cozer no tempo certo seu corpo pelo fogo do yoga; tudo para não esfriar ou fritar: é ampliar sua superfície em afetar e ser afetado pela vida|natureza|corpos.


Seria isso um Nirvana, Moksa, Kaivalya e ver despedaçado toda a sua organicidade?

Seria yoga|yuj atar-se novamente aos fluxos vitais?

O corpo resiste sempre, enviando sinais sempre que nada passa ou passa muito. Populações de quimiorreceptores detectam hipoglicemia: “tô com fome, preciso comer”; ou percebem aumentos de CO2: “falta de ar, preciso respirar”. Todo excesso ou falta sinalizada para manter níveis ótimos de intensidades: homeostase divina!


A todo bloqueio, acúmulo ou esvaziamento, falta: formigamentos, dores, medos, raivas, choros, catarses como bichos selvagens enjaulados gritando passagens.

Todo corpo são encontros de populações, uma antropologia do corpo: revoada de pássaros, cada um singular mas um só corpo, uma inconstante unidade que alimenta o maya|ilusão de um Eu|alma|Self: acúmulo de tempo e acontecimentos que somos.


 

Inspiração: Laplatine, F. O modelo coreográfico.

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Abdul Jussub
Abdul Jussub
31 jul 2022

Fazimento, cozimento lento, atravessamento pelo momento do regozijamento do aparecimento e desaparecimento de um pensamento sem polimento.

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