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YOGA, BANZEIRO E A LUCIDEZ PERMANENTE

Atualizado: 18 de out. de 2022


Todes yogins nômades (não os sedentários) - urbanos, campesinos, florestais, naturais - nascem e crescem do confronto com a floresta|natureza (e suas populações): os que se transformam sendo, são sempre “uma vitória com floresta”. Floresta é O Todo, Deuse(s), os Encantados, Sidhantas… Isvara nunca estiveram fora, em moksa's delirantemente eugênicos, pois só há um CORPO em que somos todes modificações apenas. E todas as nossas ideias, inclusive essa aqui, desenvolvida parcamente neste texto, são isso mesmo, apenas ideias deste corpo que sou agora embolado com o Corpo Todo da Floresta.


Está tudo sendo agora, se repetindo e diferenciando-se, dentro das gentes humanas e não-humanas; pois até os desumanos reacionários e pequeno-fascistas não saem do rolê. - mesmo ignorando quem são, ainda estão imersos nessa rede infundada que fundam, se afundam e emergem, é tudo parte do Corpo Dela. Os yogins avidyanos, ou alienados, esses indiana-jones caçadores de Self's, de Si's, Eu-Maiores, na bem da verdade, yogam contra a Floresta-Yoga que são (e estão). Não há nada nos habitando, por isso mesmo, nada falta: cessa a busca e perdem tudo o que nunca serão, nunca terão! E é só quando se sentirem perdidos, que iniciarão a virada de chave de Camelo para Leão, para, enfim, Crianças de novo: esses inventores de vida.


Sempre estranho ouvir yogins afirmarem trabalhar seus yogares (sadhanas) para controle de corpos (seus e de seus alunos ou discípulos) para alcançar um algo que não existe. Estes desejam dominações, controles, submissões. Eles sentam e esperam seus delírios se confirmarem no corpo do outre, e quando o outre corpo não percebe ou sente algo novo, correm para interpretar "corretamente" o que se passou. Os seus opostos, os yogins em nomadismo e marcados pela Terra| Floresta, vivem entre a Natureza. Yoga como floresta em [in]constantes intercâmbios selvagens.


Todes yogins selvagens e em nomadismo vivenciam um estado de lucidez permanente, pois visitam o passado, para atualizar o presente e inventar futuros.

Tode yogin, portanto, é pertencente à Natureza, à Floresta, pois modificações, somos Ela. Compreender a Natureza não é ter que escolher entre rejeitar-aceitar o divino dentro ou fora, mas se encharcar Dela, perceber (dar significado aos sentidos que somos).


O Yoga é uma mulher.

E isso não é retórica, mas existência. Yogins nômades e selvagens são criadores de sentidos que vivem em corpos perigosos atualizados de sonhos lúcidos. Yogins sedentários, são acumuladores de coisas sobre yoga. Eles, os sedentários, são invenções recentes, modernos. Se deslocam no mundo por dois afectos: o medo e o ódio. Medo por perder tudo o que acumularam e se acostumaram a chamar de seu; e ódio por tudo aquilo que acreditam ameaçar seus delírios paranoicos e|ou neuróticos. São do agronegócio yoguico, ou seja, extraem, arrancam e grilam do Yoga-Floresta-Mulher. Por isso tanto Yoga-MEU, Yoga-SEU, Yoga-DAQUELE. São uma espécie de Marie Kondo do yoga, mestres da organização pessoal. Desconhecem ainda que yogar tem mais a ver com a poética do swami Tom Zéananda.



A lógica conservacionista não é a do equilíbrio sattvico. Sattva se torna entendiante em pouco tempo. Não há homeostase que aguente sempre a mesma coisa. A eternidade é estresse crônico, puro cortisol-fel sendo secretado em nadis e chackras. Yoga tem mais a ver com vocábulos hindis do que sânscrito.


A realidade é um banzeiro só, e surge do nada, pois “não somos senhores de tudo que fazemos”. Há muito que se passa entre que não percebemos; e há também àqueles em que nada passa ou passa muito e nada fica de resíduo, e os que não sabem do que estou falando agora. Não é raro, entre os sedentários, se tornarem aditos por yoga - a neurobiologia é a mesma Alguns tomam álcool, outros cocaína, e hoje em dia, muitos, tomam yoga para arrefecer seus sintomas de não-pertencimento ao mundo. Claro, inventam um que não existe. Que tal estar na vida e não em moksa, samadhi, nirvana ou o Céu? Que tal a Terra?


Tornar-se yogin é aceitar a Natureza| Floresta que somos. É um ato (lento e gradual) de reflorestamento de si: se florestar aliado ao yoga.

Um professor de yoga, então, é um reflorestador de almas desincorporadas? Para quem é natural nada falta, pleno: tem seu barco para pescar, sua roça para cuidar, sua rede para dormir e amar, e a floresta-yoga para estar sendo. Yogin rico é todo aquele “que não precisa do dinheiro” para ser, e yogin pobre, todo “alienado de seus próprios desejos”. Yoga, nesta perspectiva, é enfrentar seus banzeiros e viver num estado de lucidez permanente. E tu pensa ser fácil e deseja muito isso né? Mas só até vislumbrar uma fresta do que estar assim sempre: "Yoga| meditação não é pra mim", ou "só medito para... criatividade, dormir melhor, ser mais produtivo e o clássico, "ter saúde".


Tocar de leve essa geografia de lucidez assusta, pois temem sentir e perceber com seus próprios corpos. Mas como inculcaram que seus corpos são apenas invólucros, voltam a desejar ser fantasmas-selfs-issos-e-aquilos que nunca serão; sempre em falta, retornam ao samsara do consumo-nosso-de-cada-dia: cultuam técnicas e não seus resíduos, idolatram guris e devotam-se a escrituras, ao invés de filosofias humanas, demasiadasmente humanas.


Todo yogin nômade e selvagem (não o yoga nômade, pois isso não existe: yoga-alguma-coisa será sempre sedentário, ou seja, imaginário) sofre do excesso de lucidez.

Todes mergulham à terceira margem, mas só os yogins-ricos (todes aqueles que não precisam de seus {dinheiros} ou capital simbólico que lhe dão status|comendas) acham morada nos corpos em nomadismo, preservando a vida selvagem (ou florestal) que lhes garantem potência para ser tudo aquilo que desejam. Mas ser tudo o que deseja não tem nada a ver com tudo que se imagina. Desejo é corpo, imaginação, uma ideia do corpo desejante. São errantes estes yogins, condenados à lucidez permanente (como não ser, é um contrassenso), se metamorfoseiam em criadores de sentidos, inventores de mundos, construtores de realidades. Vivem com o contraditório, coexistem com a diferença e a repetição que retorna, mas nunca a mesma.


Sim, eu sei que tudo isso lhe causa espanto, asco e/ou falta de ar como que saltando pro nada (que somos), pois afasta você do convencional obedecer e vigiar. Eu apenas anuncio uma nova dobra. Estes inconstantes yogins não desejam o mesmo que a casta sacerdotal, pois amantes das bruxas, xamãs e feiticeiras, convocam a pajelança com seus xapiris, encantados, sidhantas, poetas e orixás dos cemitérios e encruzas - aqui Goraksa vive ao lado de Paulo Leminski. A lucidez permanente mora no coração 💓 e distante do cérebro 🧠.


Sabe aqueles yogins que você conhece como erráticos, errados, marginais, periféricos, gordos, loucas, histéricas, putas, viados, vadios, dorminhocos, drogados e vestidos de ar? Eles são estranhos, esquisitos, brisadeiros e lhe causam espanto. Estes, nunca estamparam a Yoga Journal, não foram aceitos nas Alianças, eles têm apelidos, não nomes iniciáticos. Vivem fora do padrão-ouro, são imorais, politizados, velhos e analfabetos do sânscrito, mas em suas andanças e dançanças, se perderam de si, para voltar a viver sendo. É sobre tudo isso que anuncio aqui.


Não me refiro aos da “realeza” (raja), mas aos Reais (satyam's), pois embebidos de um {nosso-conhecimento}, experimentam esquecimentos muito mais que interpretações. Não acham, sabem.

Estar imerso em si não é sinônimo de solidão ou estar solitário, apartado do mundo e de todes. Isso, só entre yogins avidyanos de carreira e|ou desatentos, estes yogins alienades, delirantes, metafísicos e pobres - yogares pobres são os que ensinam a in_desejar.


No fundo do rio, todes humanes (yogins, putas, vadios e santos) são nômades. Entre os nômades, só os beiradeires se arriscam mais; talvez por serem exímios remadores, vão à frente abrindo caminho entre banzeiros, atravessando de uma margem à outra com um sorriso largo no peito, nadam de braçadas em busca do nada que somos, pois afundam “todo o corpo na realidade, sabem a verdade, e são felizes”.

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