YOGA, BANZEIRO E A LUCIDEZ PERMANENTE

Atualizado: 18 de out.


Todes yogins nômades (não os sedentários) - urbanos, campesinos, florestais, naturais - nascem e crescem do confronto com a floresta|natureza (e suas populações): os que se transformam sendo, são sempre “uma vitória com floresta”. Floresta é O Todo, Deuse(s), os Encantados, Sidhantas… Isvara nunca estiveram fora, em moksa's delirantemente eugênicos, pois só há um CORPO em que somos todes modificações apenas. E todas as nossas ideias, inclusive essa aqui, desenvolvida parcamente neste texto, são isso mesmo, apenas ideias deste corpo que sou agora embolado com o Corpo Todo da Floresta.


Está tudo sendo agora, se repetindo e diferenciando-se, dentro das gentes humanas e não-humanas; pois até os desumanos reacionários e pequeno-fascistas não saem do rolê. - mesmo ignorando quem são, ainda estão imersos nessa rede infundada que fundam, se afundam e emergem, é tudo parte do Corpo Dela. Os yogins avidyanos, ou alienados, esses indiana-jones caçadores de Self's, de Si's, Eu-Maiores, na bem da verdade, yogam contra a Floresta-Yoga que são (e estão). Não há nada nos habitando, por isso mesmo, nada falta: cessa a busca e perdem tudo o que nunca serão, nunca terão! E é só quando se sentirem perdidos, que iniciarão a virada de chave de Camelo para Leão, para, enfim, Crianças de novo: esses inventores de vida.


Sempre estranho ouvir yogins afirmarem trabalhar seus yogares (sadhanas) para controle de corpos (seus e de seus alunos ou discípulos) para alcançar um algo que não existe. Estes desejam dominações, controles, submissões. Eles sentam e esperam seus delírios se confirmarem no corpo do outre, e quando o outre corpo não percebe ou sente algo novo, correm para interpretar "corretamente" o que se passou. Os seus opostos, os yogins em nomadismo e marcados pela Terra| Floresta, vivem entre a Natureza. Yoga como floresta em [in]constantes intercâmbios selvagens.


Todes yogins selvagens e em nomadismo vivenciam um estado de lucidez permanente, pois visitam o passado, para atualizar o presente e inventar futuros.

Tode yogin, portanto, é pertencente à Natureza, à Floresta, pois modificações, somos Ela. Compreender a Natureza não é ter que escolher entre rejeitar-aceitar o divino dentro ou fora, mas se encharcar Dela, perceber (dar significado aos sentidos que somos).


O Yoga é uma mulher.

E isso não é retórica, mas existência. Yogins nômades e selvagens são criadores de sentidos que vivem em corpos perigosos atualizados de sonhos lúcidos. Yogins sedentários, são acumuladores de coisas sobre yoga. Eles, os sedentários, são invenções recentes, modernos. Se deslocam no mundo por dois afectos: o medo e o ódio. Medo por perder tudo o que acumularam e se acostumaram a chamar de seu; e ódio por tudo aquilo que acreditam ameaçar seus delírios paranoicos e|ou neuróticos. São do agronegócio yoguico, ou seja, extraem, arrancam e grilam do Yoga-Floresta-Mulher. Por isso tanto Yoga-MEU, Yoga-SEU, Yoga-DAQUELE. São uma espécie de Marie Kondo do yoga, mestres da organização pessoal. Desconhecem ainda que yogar tem mais a ver com a poética do swami Tom Zéananda.



A lógica conservacionista não é a do equilíbrio sattvico. Sattva se torna entendiante em pouco tempo. Não há homeostase que aguente sempre a mesma coisa. A eternidade é estresse crônico, puro cortisol-fel sendo secretado em nadis e chackras. Yoga tem mais a ver com vocábulos hindis do que sânscrito.


A realidade é um banzeiro só, e surge do nada, pois “não somos senhores de tudo que fazemos”. Há muito que se passa entre que não percebemos; e há também àqueles em que nada passa ou passa muito e nada fica de resíduo, e os que não sabem do que estou falando agora. Não é raro, entre os sedentários, se tornarem aditos por yoga - a neurobiologia é a mesma Alguns tomam álcool, outros cocaína, e hoje em dia, muitos, tomam yoga para arrefecer seus sintomas de não-pertencimento ao mundo. Claro, inventam um que não existe. Que tal estar na vida e não em moksa, samadhi, nirvana ou o Céu? Que tal a Terra?


Tornar-se yogin é aceitar a Natureza| Floresta que somos. É um ato (lento e gradual) de reflorestamento de si: se florestar aliado ao yoga.

Um professor de yoga, então, é um reflorestador de almas desincorporadas? Para quem é natural nada falta, pleno: tem seu barco para pescar, sua roça para cuidar, sua rede para dormir e amar, e a floresta-yoga para estar sendo. Yogin rico é todo aquele “que não precisa do dinheiro” para ser, e yogin pobre, todo “alienado de seus próprios desejos”. Yoga, nesta perspectiva, é enfrentar seus banzeiros e viver num estado de lucidez permanente. E tu pensa ser fácil e deseja muito isso né? Mas só até vislumbrar uma fresta do que estar assim sempre: "Yoga| meditação não é pra mim", ou "só medito para... criatividade, dormir melhor, ser mais produtivo e o clássico, "ter saúde".


Tocar de leve essa geografia de lucidez assusta, pois temem sentir e perceber com seus próprios corpos. Mas como inculcaram que seus corpos são apenas invólucros, voltam a desejar ser fantasmas-selfs-issos-e-aquilos que nunca serão; sempre em falta, retornam ao samsara do consumo-nosso-de-cada-dia: cultuam técnicas e não seus resíduos, idolatram guris e devotam-se a escrituras, ao invés de filosofias humanas, demasiadasmente humanas.


Todo yogin nômade e selvagem (não o yoga nômade, pois isso não existe: yoga-alguma-coisa será sempre sedentário, ou seja, imaginário) sofre do excesso de lucidez.