O corpo é o campo onde se escreve o enigma do desejo. Nele se inscrevem as forças que nos movem e as interdições que nos formam. Se, para Freud, o desejo nasce do trauma de uma perda, da separação necessária entre o corpo pulsional e o corpo social, é porque o sujeito, ao adentrar a linguagem, paga com sua carne o preço da civilização. O mito de Narciso, que Freud convoca para explicar a gênese do Eu, é mais que metáfora: é o drama inaugural do reflexo que nos aliena, o momen